Keukenhof 2018 – Romance in Flowers

Keukenhof 2018

Keukenhof, o maior jardim de flores do mundo, deu início à sua 69ª edição no dia 22 de março e permanecerá aberto ao público até o dia 13 de maio de 2018. Independentemente do inverno ter sido rigoroso e embora ainda esteja muito frio na Europa, a primavera chegou em Keukenhof e as primeiras tulipas, narcisos e outras flores de bulbos, já estão florescendo!

Em torno de Keukenhof há inúmeros campos coloridos de flores. Durante o festival você pode fazer um tour por essa deslumbrante área e desfrutar de uma vista paradisíaca; de bicicletas ou por voos de helicópteros, seguramente será uma experiência única e inesquecível!

O tema de Keukenhof para 2018 é Romance in Flowers. Um dos motivos para a escolha deste mote foi o fato do parque ter sido projetado no meio da era romântica (1857) como um jardim ornamental para o Castelo Keukenhof, e porque segundo Bart Siemerink, diretor do parque, “flores e romance estão intrinsecamente ligados”. Durante a cerimônia de abertura houve uma performance de dois atores interpretando Romeu e Julieta. Logo em seguida, a poeta Ester Naomi Perquin recitou uma ode à primavera, escrita especialmente para Keukenhof.
Confira essa bela ode, traduzida do holandês para o inglês, pelo premiadíssimo tradutor David Colmer:

Approach

Of course they’ll never cry out ‘bloom’. Or ‘grass’. Or ‘flowers’.
They’ll never kiss someone who unequivocally
requested same. That’s not a thing they’d do,
it could be taken the wrong way.

They avoid those sky-high misconceptions. Of course they watch the clock.
Arrange a day or hour. Never anything that just slips by and it seems
to lasts forever – like lying in a boat, on quiet water, and in that new-born light,
both looking at the other’s perfect face and thinking:
it’s all just drifting past. Everything But we –

Of course they will not be swayed by things like baby birds in trees
or early morning mist that’s there but can not be touched,
a bride’s sheer veil, the buds’ unfurling or waiting
for the small green heads to nudge
aside the fresh-turned earth –

Careful people keep walking cautiously towards
gray skies. Preferring stasis.
Frost. Reversal.

Those who do not take care turn soft. A kind of blossoming,
of slowly opening – those who do not take care
will stumble soon and fall into
the arms of spring.

Ester Naomi Perquin

Keukenhof 2018

 

Keukenhof 2018 - Romance in Flowers

 

Keukenhof 2018 - Romance in Flowers

 

Keukenhof 2018 - Romance in Flowers

 

Keukenhof 2018 - Romance in Flowers

 

Keukenhof 2018

 

Keukenhof 2018

 

Keukenhof 2018

 

Personagem de destaque do “Parade Flowers” foi o Pato Rubber Duck, todo revestido de flores. O pato é uma criação do artista plástico holandês, Florentijn Hofman. A propósito, tenho a impressão de já ter visto esse pato passeando por terras tupiniquins!!! Será que o plagiaram?

Keukenhof 2018

 

Keukenhof 2018

 

Imagens: Keukenhof / Laurens Lindhout

Siga-nos:

pinterest facebook1 instagram2 twitter

Keukenhof
Bezoekadres
Stationsweg 166A
2161 AM Lisse

 

Ana Cristina Cesar é a grande homenageada da Flip 2016

Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar

 
Ana Cristina Cesar, ícone da Geração Mimeógrafo e musa da poesia marginal, (1952-83) é a autora homenageada da 14ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) 2016, que acontece de 29 de junho a 3 de julho de 2016.
Ler Ana Cristina C. é voltar no tempo e manter-se contemporânea. É redescobrir fragmentos de uma época, implacavelmente, tingida pela pátina do tempo; é perceber costumes e hábitos que tornaram-se obsoletos, mas o mais importante, é deparar-se com a delicadeza de sua obra e constatar que a mesma ainda permanece à flor da pele.
Como não amar Ana Cristina C.?

 
Ana Cristina Cesar

Ana Cristina Cesar

Abaixo, frases soltas de sua obra, reunida no livro “Poética”, lançado pela Companhia das Letras. Me perdoem, mas este é o meu jeito torto de ler poesia.

“Datilografei até sentir câimbras…”

“Me sinto em Marienbad, junto dele.”

“A melancólica sou eu, insisto, embora você desaprove sempre, sempre.
Aproveito para pedir outra opinião.”

“… mas não fui eu que pintei a galeria de preto, você sabe que eu não sou sinistra.”

“Oh baby, I wish I had some morphine to give you.”

“Beware: esta compaixão é paixão.”

“Agora irretocável prefiro ficar fora, só na capa do seu livro.”

“Não posso mais mentir. Corto meu jejum com dedos de prosa ao telefone, meu próprio fanatismo em ascensão: O silêncio, o exílio e a astúcia?”

“Para que a morte só seja
Um descanso calmo e doce
Um calmo e doce descanso.”

“Tenho ciúmes deste cigarro que você fuma
Tão distraidamente.”

“Vai-se o inútil salmo, o inútil amor
Em cada começo o fio e a agulha
Em cada som um nome só: fim.”

“Imagino como seria te amar:
desisto da ideia numa total volúpia
e recomeço a escrever
poemas.”

“Me lembro da rádio a mil dentro do carro,
e de uma saudade inata.”

“Te ligo interurbano, te digo:
separa,
separa já desta mulher!”

“Para que você faz das cartas telegramas – você pensa que as palavras custam caro?”

“Sou uma mulher do século XIX
disfarçada em século XX.”

“A mulher era um objeto que variava de preço mais que qualquer ação da Bolsa.”

“garganta ardendo, colubiazol a mão…”

“… saberias então que hoje, nesta noite, diante desta gente, não há ninguém que me interesse e meus versos são apenas para exatamente esta pessoa que deixou de vir…”

“Estas molas a gemer no quarto ao lado
Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia…”

“Agora que você chegou não preciso mais me roubar. E como farei com os versos que escrevi?”

“Estou vivendo de hora em hora, com muito temor.
Um dia me safarei – aos poucos me safarei, começarei um safari.”

“Não é teu corpo.
É a possibilidade da sombra.”

“Nossa conversa amena;
nossa amizade
até o previsto e casto adeus;
o tempo se poupa;
nos economiza…”

“Queria parecer-me com ele…”

“O namorado se retira uma semana e produz catorze poemas de qualidade. Deixa publicados dois livros e parte para a Europa com um terceiro debaixo do braço…”

“…Me enchem de azias estas noites cheias de Eneida por ler. Esqueci de tomar o remédio, li os cabos e os rabos do Pasquim, já pensou uma filha nossa chamada, se chamando Eneida? meu Deus do céu, eu já estou falando em filha nossa!”

“A mesa não está mais posta. A artista resolve iniciar uma coleção de bulas.”

” … (ambas sentiram; é este o fato curioso, pode-se dizer que ambas sentiram simultaneamente, não por onisciência mas porque a situação o comprovou, o que nega a possibilidade de alucinação por parte de uma apenas, o que permitiria dizer com uma certa margem ilusória que na verdade tratava-se de alucinação de ambas)…”

“Eu invento tudo, absoluta. Me tranco e começo inventando…”

“-Enganei, o poeta falou, os leitores obtusos.
Sem comentários.”

Ana Cristina morreu pouco depois de ter lançado seu primeiro livro, “A teus pés”, por conta de uma depressão que a levou ao suicídio. Abaixo um dos poemas mais bonitos de Maiakovski, adaptado e musicado por Caetano Veloso, nas vozes de Abujamra e Gal Costa, que tão bem se aplica à Ana C.

Imagens: IMS

 

 

 

Tchau Manoel…

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Gostaria de ser lembrado como um ser abençoado pela inocência.”

Morre aos 97 anos o poeta brasileiro Manoel de Barros, deixando mais de 20 livros de poesias publicados.
Homem simples e sábio seguiu sua vida dando lições de humildade.
Preferia a palavra escrita à palavra falada.
Tímido, o poeta dizia: “Só trancado e sozinho consigo me expressar. Mesmo sem linearidade, por trancos, por sugestões, ambíguo – como requer a poesia.”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Por que deixam um menino que é do mato
Amar o mar com tanta violência?”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Agora estou sonhado de glicínias.”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Estátuas sofrem de lodo nos jardins abandonados.”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Quem levará para casa todos os dias a mesma solidão, senão os doidos de beco?”

 

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“De que me vale ter a casa sem ter a mulher amada dentro?”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Essas doces ruínas mortas ou alamedas
Esquecidas em sua tranquilidade de coisas anônimas, – cuidado com elas!
São infestadas de lobos solitários… “

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
” A gente é rascunho de pássaro
Não acabaram de fazer…”

Manoel de Barros | Tempo da Delicadeza
“Bicho acostumado na toca, encega com estrela.”

poetry
“Não gosto de dar confiança para a razão, ela diminui a poesia.”

 

Abaixo o meu poema preferido de Manoel de Barros:

Matéria de Poesia

1.

Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para a poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia

Terreno de 10×20, sujo de mato – os que
nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
servem para poesia

Um chevrolé gosmento
Coleção de besouros abstêmios
O bule de Braque sem boca
são bons para poesia

As coisas que não levam à nada
têm grande importância

Cada coisa ordinária é um elemento de estima

Cada coisa sem préstimo
tem seu lugar
na poesia ou na geral

O que se encontra em ninho de joão-ferreira:
caco de vidro, garampos,
retratos de formatura,
servem demais para poesia

As coisas que não pretendem, como
por exemplo: pedras que cheiram
água, homens
que atravessam períodos de árvore,
se prestam para poesia

Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde
dos pássaros,
serve para poesia

As coisas que os líquenes comem
– sapatos, adjetivos –
tem muita importância para os pulmões
da poesia

Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia

Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre-diabo é colosso

Tudo que explique
o alicate cremoso
e o lodo das estrelas
serve demais da conta
Pessoas desimportantes
dão para poesia
qualquer pessoa ou escada

Tudo que explique
a lagartixa de esteira
e a laminação de sabiás
é muito importante para a poesia

O que é bom para o lixo é bom para poesia

Importante sobremaneira é a palavra repositório;
a palavra repositório eu conheço bem:
tem muitas repercussões
como um algibe entupido de silêncio
sabe a destroços

As coisas jogadas fora
têm grande importância
– como um homem jogado fora
Aliás, é também objeto de poesia saber
qual o período médio que um homem jogado fora
pode permanecer na Terra
sem nascerem em sua boca
as raízes da escória

As coisa sem importância
são bens de poesia
pois é assim
que um chevrolé gosmento
chega ao poema
e as andorinhas de junho.

Imagens: Tumblr e Pinterest

 

Salvar

Salvar

Salvar

Sem Ariano Suassuna a Terra fica menos interessante

Ariano Suassuna

Ariano Vilar Suassuna, despediu-se deste mundo aos 87 anos de idade, num mês particularmente triste para a cultura brasileira.
O paraibano Ariano Suassuna ocupava a cadeira número 32 da Academia Brasileira de Letras, desde 3 de agosto de 1989 e exercia o cargo de secretário da Assessoria Especial do Governo de Pernambuco.
Polêmico, nacionalista, contador de causos, advogado, professor, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro,  Suassuna alcançou a consagração em 1955, com a estreia da peça de teatro “O Auto da Compadecida”.
Assista sua imperdível “aula-espetáculo” e apaixone-se por este grande nome da Cultura Brasileira, que seguramente, deixou a Terra menos interessante com a sua partida.

“Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa”.

Ariano Suassuna

“O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado”.

Ariano Suassuna
☆16 de junho de 1927
+23 de julho de 2014

Chico Buarque, quem diria, completou 70 anos

Chico Buarque - Tempo da Delicadeza

Meu pai era um homem intelectual e como tal, levava para casa tudo o que Chico Buarque produzia, portanto cresci ouvindo as canções do Chico e claro tornei-me uma fã incondicional.
Sua obra repleta de lirismo e poesia não passou incólume por mim, ao contrário, tatuou a minha alma!
Difícil fazer uma seleção das minhas preferidas. Eis algumas:

Tempo da Delicadeza:

Imagem: Pinterest